Lá vem Maria

O Crônicas segue, apoiando a Resistência.

ago 17, 2016 por

 

lançamento do Crônicas da Resistência em Curitiba

lançamento do Crônicas da Resistência em Curitiba

Hoje, 17 de agosto de 2006, mais um exemplar do livro “Crônicas da Resistência – Narrativas de uma democracia ameaçada” partiu. Seguiu rumo a capital de outro estado brasileiro. Uma pessoa jovem presenteou outra, também jovem.
Poderia imaginar que nossas narrativas teriam grande impacto na vida da pessoa presenteada ou do presenteador, mas não é assim que sinto. A verdade é que o fato trouxe uma alegria orgulhosa. A pequena crônica, que condensa anos do olhar que lanço aos fatos, será lida por quem chegou ao mundo uns trinta anos depois de minha aterrizagem. Mas em minutos de conversa, três décadas que poderiam ser um abismo, transmutaram em tempos de aproximação e entendimento.
Encaramos os fatos com focos semelhantes. Entendemos os fatos com profundidade e amplitude similares.
A experiencia provocou uma viagem no tempo e lá estou, com idade próxima a da pessoa que presenteou e da que foi presenteada. Resgato o longo caminho de aprendizagens. E, na ponta de cá, entendo o mundo com critérios próximos aos daqueles que só caminharam metade do caminho que já fiz.
Retomo também as conversas com outros autores do livro, no ato do lançamento de Crônicas da Resistência. Nas narrativas estão desde olhares de pessoas com idade próxima a minha, quanto a deles. Muitos com atuações admiráveis. Muitos anônimos e, assustadoramente, lúcidos.
Enfim, a experiencia de hoje soma-se a outras e prova que o mundo é diverso e complexo. Essa realidade estanque e dicotomizada que nos vendem todos os dias interessa ao golpe e aos golpistas.
Essas pessoas de pouca idade, admiradores dos regimes ditatoriais que tomam as mídias não são maioria. A população do Brasil, assim como o mundo, é complexa, heterogênea nos mais diversos aspectos, incluindo o humanitário. A consciência segue curso não linear, mas a propaganda não dá destaque àqueles que estão do outro lado, que não pactuam dos interesses de quem dá a vida valor menor que o capital.
Ao final da reflexão, concluo que Crônicas da Resistência pode fazer diferença na vida de quem presenteou e de quem foi presenteado. As narrativas dirão a eles que há respaldo para seus pensamentos, suas análises, suas críticas e seus entendimentos. Pode ser alento para que sigam diferenciados. Para que não se vejam sozinhos em meio a essa versão sem luz nem esperança que querem nos impor.

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Crônicas da Resistência: para dizer sim a liberdade e a vida.

jul 25, 2016 por

cronicas livroQue valor tem a terra se já não sustenta árvores, arbustos ou plantas forrageiras?
Que valor tem a terra que depois de sulcada pelo trator recebera sementes que germinarão, mas  não alimentarão aqueles que nela vivem?
Que valor tem a terra que já não abriga pássaros, borboletas, gambás ou cobras?
Que valor tem a terra envenenada, que envenena a água, que envenena a vida?

Que valor tem um país que não acolhe nem protege aqueles que vivem em seu solo?
Que valor tem um país que mata seus habitantes de fome, sede, desamparo ou abuso?
Que valor tem um país que se entrega a exploração de outro e definha?
Que valor tem um país que entrega aqueles que o construíram para que sejam nada além de seres escravizados?

Hoje, no Brasil de agora, lutamos ou seremos apenas um povo saqueado.
Por isso, hoje, no Brasil de agora, resistimos e resistiremos, sabendo que unir forças é imprescindível a preservação da multiplicidade de etnias, línguas e saberes que nos enriquece e nos faz únicos.
Para que possamos ter pátria.
Para que possamos ser nação.
Para que não nos roubem as oportunidades de sermos, humanamente, melhores do somos.

Dia 28/07/2016, a partir das 18 horas, no teatro da Reitoria/UFPR, com o lançamento do livro coletivo Crônicas da Resistência, reafirmaremos o sim à liberdade e a vida, dizendo, mais uma vez, não ao golpe!

O livro conta com prefácio de Adolfo Perez Esquivel,  Prêmio Nobel da Paz de 1980 e incansável defensor da liberdade e dos direitos humanos.  Leonardo Boff assina a contracapa.

A abertura será com o espetáculo “Os Semeadores de Sonhos” com João Bello e Susi Monte Serrat e Cultura Resiste

Serviço:
Livro Crônicas da resistência 2016 – Narrativas de uma democracia ameaçada Editora ComPactos 230 pg R$ 30,00 Local: Teatro da Reitora UFPR
Horário: 18h
Dia: 28 de julho
Endereço: Rua XV de Novembro, 1299 – Centro – Curitiba (PR) Contato com a editora e autores pelo e-mail: cleusaslaviero@hotmail.com

crônicas autores

participantes do livro Crônicas da resistência

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Duas horas com o Cultura Resiste/PR

jul 12, 2016 por

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A Vida pede. Viva mais Cultura.”
(da página da Caixa Cultural de Curitiba, no Facebook)

Não estive muito tempo com o grupo  que, na sexta feira, 08 de julho de 2016, ocupou o espaço da Caixa Cultural de Curitiba. Foram apenas duas horas. Tempo que eles levaram para se reunir e organizar a ocupação relâmpago no espaço de entrada do prédio. Tempo suficiente para compreender seus objetivos e causas.
Sem dúvida, todos, assim como a grande maioria dos brasileiros, querem o fim deste período de exceção e a retomada do mandato da presidente eleita. Mas o foco do debate que aconteceu no inicio das atividades pode ser sintetizado em uma frase: os recursos da união são drenados de todos os setores que fazem parte da área de humanas para engordar bancos e banqueiros.
IMG_8649Não é difícil de entender o argumento. De um lado já temos a maior parte dos recursos da união comprometidos com juros e a amortização da divida pública. Uma auditoria poderia reverter o quadro, ainda que parcialmente. Mas, contrariando o bom senso, as taxas que antes foram forçadas para baixo, agora crescem. E a divida também. Do outro lado, os recursos para Cultura, Ação Social, Moradia, Educação e Saúde somem.
A Caixa Econômica Federal é o banco público responsável pelo transito dos recursos das áreas de humanas. A agência da Caixa da Rua Conselheiro Laurindo aloja espaços culturais como o teatro e espaço para exposições. Por isso a escolheram.
Estamos acostumados com a vinheta “vem pra Caixa você também”, mas, neste final de semana,os integrantes do Cultura Resiste nos alertou: enquanto o golpe for mantido, seremos todos excluídos, não só da Caixa,  mas de todos os bens sociais que ajudamos a construir.

Este é um dos pilares do golpe. Junta-se a ele o desmantelamento das estatais, a entrega de nossos recursos, iniciando pelo Pré-Sal. E não podemos descartar o alastramento de domínio que as bases americanas instaladas no continente representam.

Precisamos todos, de todas as áreas, dizer não ao golpe para que possamos ter uma nação que nos abrigue.

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Indicamos uma postagem antiga de Auditoria Cidadã da Divida. Embora escrito antes da queda dos juros, ajudará a entender o alerta do Cultura Resiste.

A lógica perversa da Dívida e o Orçamento de 2015

 

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Madalena Freire e A Paixão de Conhecer o Mundo

maio 27, 2016 por

apresentação do livro Além das Montanhas Coloridas no FAMA-Arapoti

apresentação do livro Além das Montanhas Coloridas no FAMA-Arapoti

Decorrem 12 anos desde de meu afastamento da atividade de psicóloga educacional, mas bastou um evento – o FAMA, de Arapoti, Paraná – para que o desejo de compartilhar as experiências acumuladas tomasse o corpo e a alma. Desejo que, a partir de agora, transponho para a escrita.
Esse anseio foi aguçado, primeiro, pelo trabalho de João Bello e Susi Monte Serrat, que contou com a participação do músico Jeronimo Colbert Bello. Aparentemente eles fazem um show alegre, divertido e colorido. Desses espetáculos que nos incitam a cantar, dançar e alimentar as raízes. Mas na verdade é uma aula prática, recheada com os elementos que mais faltam no cotidiano escolar: o prazer e a criatividade.
Não imaginem que ao pontuar a ausência de alegria e criatividade no ambiente escolar, estou criticando professores ou equipes pedagógicas. Antes, tenho plena consciência de que esse formato enrijecido do processo tem bases no Brasil imperial e que quando estava em plena mutação, sofreu os efeitos da ditadura militar.
Não irei, neste texto, mergulhar na etiologia do problema. Abordarei alguns aspectos em artigos futuros. Mas, de imediato, indico o livro História da Educação no Brasil, de Otaíza de Oliveira Romanelli, que registra extensa e profunda pesquisa da autora.
Voltando a eclosão do desejo de compartilhar, o segundo desencadeador foi a apresentação do trabalho do artista Hélio Leites, pelo próprio. A arte de Hélio tem como matéria prima aquilo que jogamos fora todos os dias: caixinhas de fósforo, palitos, latinhas, entre outros. Enquanto ele mostrava objetos e falava do seu fazer artístico, ideias sobre a aplicação deste fazer no resgate do prazer de aprender, da auto estima, da capacidade de pensar criticamente e de criar invadiam o pensamento.
Não imagino que reverter a rigidez do ensino seja um processo simples. Comprometimento das equipes, capacitação continuada e presencial, além de estratégias para proteção das mudanças obtidas são imprescindíveis para fazer brotar alegria no ambiente escolar, desencadear condutas de respeito para com as diferenças individuais e permitir a criatividade e espontaneidade. E, é claro que baixos salários e sobrecarga de trabalho são barreiras adicionais. Mas também tenho convicção, fundamentada na experiência, que agregando prazer e alegria ao ato de aprender e ensinar, a vida dos profissionais envolvidos será positivamente afetada.
Foi neste contexto, em meio ao FAMA, junto com colegas escritores que lá estavam para apresentar suas obras, que lembrei de Madalena Freire e do livro A Paixão de Conhecer o Mundo.
Tão apaixonante quanto o nome, a obra traz a transcrição da experiencia da autora na Escola da Vila, em São Paulo. Relata o processo, mostra a aplicação do que chamamos práxis e os resultados obtidos. O prazer e a criatividade vivenciados contaminam cada página do livro, que parece escrito por crianças felizes.
Madalena apresenta um caminho. Há outros. Cada unidade educativa pode descobrir o seu.

Na galeria, fotos dos escritores apresentando seus livros aos professores da rede municipal de Arapoti.na primeira foto: Paulo de Jesus, Silzi Mossato, Sedinei Rocha, Desirée Cavallin Veloso e Francine Cruz. Na sequencia, João Bello, Hélio Leites, Susi Monte Serrat e Jeronimo Colbert Bello.

(para visualizar: clicar sobre a foto para abrir e repetir o clic para tela cheia)

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Feira do Poeta: um ano de (re)conquistas

abr 1, 2016 por

imagem do acervo da Feira do Poeta

Os escritores sabem que seus escritos precisam de leitores e que leitores precisam de poesias e histórias através das quais possam viajar. Mas escritores também sabem que é preciso criar pontes entre suas criações e aqueles que as querem conhecer. Uma das boas pontes é a Feira do Poeta.
Para quem não conhece, a Feira ocupa um espaço não muito grande, mas aconchegante e bem organizado no Largo da Ordem. Durante décadas foi referencia, mas sumiu do cenário curitibano por cerca de 12 anos, ressurgindo em março de 2015.
Este núcleo nasceu em 1981 com o nome Projeto Poetas na Praça, desencadeado pela poetisa Maria de Jesus Coelho que queria um espaço para si e seus colegas. A Fundação Cultural de Curitiba atendeu a reivindicação e a FUNDEPAR ampliou o apoio, cedendo equipamentos para impressão artesanal. No final do mesmo anos nascia a Feira do Poeta.
Muita coisa aconteceu. A equipe apoiou, publicou e mostrou muita gente enquanto transitava por vários espaços, incluindo o Centro de Criatividade do Parque São lourenço, a Casa Romário Martins, a casa nº 108 da Rua Claudino dos Santos e ganhou sede própria, ao lado da Casa Romário Martins. Depois de tanto fazer, a Feira sucumbiu. Mas poesia é como aquelas plantinhas de raiz rasteira, que some aqui e aparece acolá. E reapareceu pelas mãos de Luiz Brizola3Carlos Brizola. Ele contou em entrevista que reabrir a Feira do Poeta foi uma ideia grupal. Veio à tona em meio a uma série de movimentos como o Cutucando a Inspiração, Sarau Popular, Escritibas e Meninas que Escrevem (atual Marianas). De posse da proposta, Brizola foi a Fundação Cultural de Curitiba que apoiou e ajudou a negociar a recuperação do espaço.
Nesta semana a reabertura da Feira do Poeta completou um ano, fortalecida pela participação coletiva. Tem nova forma de funcionar e presta apoio aos escritores de diferentes linguagens. É, principalmente, um espaço de divulgação para autores de Curitiba e região metropolitana. Mas está aberto aos músicos e outros artistas que queiram realizar performances e intervenções diversas. Além da disponibilização do espaço, presta serviço de orientação para editoração, apoio logístico aos Escritibas e aos projetos Sarau Popular e Cutucando a Inspiração.
A Feira do Poeta é hoje, a casa do escritor de Curitiba e região, mas para lançamentos e eventos, recebe autores de qualquer lugar do Brasil.
Os domingos são reservados aos lançamentos e manhãs de autógrafos. Entre terça e sexta, além do apoio logístico já citado, é possível fazer consulta ao acervo, obter informações e consultoria para editoração.
Até fevereiro de 2016 contava com a coordenação apenas de Brizola, mas partir de março de 2016, Geraldo Magela passou a integrar a equipe. Magela, que está na foto da antiga Feira do Poeta, é quem a define como “espaço plural, com várias linguagens, literárias ou não”. FP11

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Escritibas na charmosa São Francisco

fev 24, 2016 por

No centro de Curitiba, entre as ruas Barão de Serro Azul e Presidente Faria existe uma ruazinha antiga, charmosa e colorida. Antes era lembrada por acolher o Restaurante Mikado, que neste ano, para tristeza de milhares de pessoas, deixou de existir. Muito antes do fechamento deste ponto de boa comida e muitos encontros, a rua estreita, de poucas quadras e calçada com pedras, tinha deixado de receber atenção. Mas o movimento dos ciclistas que, com trabalho voluntário, transformou um terreno abandonado no agradável espaço de convivência reacendeu o interesse. Quando ,em 22 de setembro de 2014, o espaço foi oficializado como Praça de Bolso do Ciclista, campanhas que pedindo a revitalização da rua histórica se espalhavam. Ao mesmo tempo passou a ser tornou palco de eventos culturais ao a livre.
Independente das ações governamentais ou não, a São Francisco tem lugares interessantes. Não disponibilizaremos um lista, nem qualquer avaliação dos serviços. Em foco, apenas um pouco da arte encontrada em uma única quadra, registrada em 18/02/2016. Café, pizzaria e brechó são algumas das opções que mostramos na galeria abaixo.
A partir de fevereiro deste ano surgiu no local, uma nova feira de arte e artesanato. Todas as quintas feiras sem chuva, no final do dia ou começo da noite, é possível escolher um objeto cerâmico, uma pequena planta, discos, camisetas, calçados, desenhos ou livros. E nós, os Escritibas, estamos lá, com nossos livros de poesia e prosa. No local é possível conversar com autores, comprar livros e ainda, levar a obra autografada. Veja na galeira os autores presentes no dia 18 de fevereiro: Junior França, Alvaro Posselt, Geraldo Magela, Adegmar José da Silva,  Silzi Mossato e Paulo Roberto de Jesus.  Apareça!

 

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