Lá vem Maria

A Arte Original dos Povos Originários

nov 11, 2016 por

 

 

 

img_0346Contamos mais de quinhentos anos desde a primeira invasão. Com a colonização, a arte  europeia  foi espalhada pelo território que antes era compartilhado pelos povos originários, plantas e bichos. Desde a chegada dos portugueses, navios foram aperfeiçoados. Ficaram maiores e mais velozes. Motores foram criados e, tenho impressão, que a roda foi reinventada. Trens e trilhos, carros e estradas, rádios, aviões, neons e televisão. O mundo ganhou aparelhos e mais aparelhos que replicam infinitamente a palavra escrita ou falada enquanto a prosa das comadres sume do mapa junto com o descanso do fim de tarde. Manufatura, a construção lenta e cuidadosa de cada objeto, virou exceção. Mas, superando todas as formas de opressão, muitos grupos de diferentes etnias, resistem. Uns mantém seus saberes pré cabralinos. Outros resgatam parte do que perderam. E todos nos ensinam que há outras maneiras de viver, que retratam em sua arte. A arte da humanidade que cultivam através dos tempos.

Parece distante ou fora de alcance, mas há, em Curitiba um espaço gostoso e bem cuidado, que mantém, para exposição e venda, a Arte Original dos Povos Originários.

Xondaro fica na rua Tibagi, 333, lj 1, no centro de Curitiba e alguns produtos estão na página da loja: facebook.com/xondarocwb.

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Encantamento em Voos Literários

nov 11, 2016 por

Voos Literários

Voos Literários

Descobri que exerço todos os direitos do leitor. Não sabia, mas faço isso há cinquenta anos. Desde o tempo em que descobri que as palavras escritas nos levam a todos os cantos do mundo. Elas nos apresentam as mais diversas culturas e as infinitas diferenças que compõem a beleza do mundo. Acabo de conhecer esses direitos, exercidos desde o tempo em que, deitada sobre o assoalho cuidadosamente encerrado e lustrado de meu quarto, mergulhava nas histórias de Monteiro Lobato ou nas páginas traduzidas de Mil e Uma Noites.

Confesso que também viajava na história ilustrada do Brasil e que ainda tenho na memória a imagem idealizada de Pedro Alvares Cabral e seu chapelão ornado com uma imensa pena. E mais. Virava e revirava o Atlas, tentando achar o lugar das histórias que lia ou  imaginando futuras viagens.

Mas o assunto são os direitos que acabo de descobrir. Foram apresentados, em cuidadosa leitura encenada, pelo ator Carlos Moreira, no espetáculo Voos Literários, do grupo Parabolé. Além de Carlos, Larissa Lima e Vanessa Vieira integram o trio de atores que encantam.

Assistindo Voos Literários puxei o fio da infância, fiz uma pausa para resgatar a beleza da vida e recompor a energia.

O espetáculo trata do prazer de ler e o faz de forma a provocar um “que pena que acabou”. Levi Brandão assina a direção artística e os atores, a cada movimento, espelha a criança de cada um. Rennan Negrão fez de cenário e figurinos uma obra de arte indivisível e perfeita para este espetáculo.

Ao Parabolé: obrigada! Continuarei exercendo todos meus direitos de leitora!

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O Crônicas segue, apoiando a Resistência.

ago 17, 2016 por

 

lançamento do Crônicas da Resistência em Curitiba

lançamento do Crônicas da Resistência em Curitiba

Hoje, 17 de agosto de 2006, mais um exemplar do livro “Crônicas da Resistência – Narrativas de uma democracia ameaçada” partiu. Seguiu rumo a capital de outro estado brasileiro. Uma pessoa jovem presenteou outra, também jovem.
Poderia imaginar que nossas narrativas teriam grande impacto na vida da pessoa presenteada ou do presenteador, mas não é assim que sinto. A verdade é que o fato trouxe uma alegria orgulhosa. A pequena crônica, que condensa anos do olhar que lanço aos fatos, será lida por quem chegou ao mundo uns trinta anos depois de minha aterrizagem. Mas em minutos de conversa, três décadas que poderiam ser um abismo, transmutaram em tempos de aproximação e entendimento.
Encaramos os fatos com focos semelhantes. Entendemos os fatos com profundidade e amplitude similares.
A experiencia provocou uma viagem no tempo e lá estou, com idade próxima a da pessoa que presenteou e da que foi presenteada. Resgato o longo caminho de aprendizagens. E, na ponta de cá, entendo o mundo com critérios próximos aos daqueles que só caminharam metade do caminho que já fiz.
Retomo também as conversas com outros autores do livro, no ato do lançamento de Crônicas da Resistência. Nas narrativas estão desde olhares de pessoas com idade próxima a minha, quanto a deles. Muitos com atuações admiráveis. Muitos anônimos e, assustadoramente, lúcidos.
Enfim, a experiencia de hoje soma-se a outras e prova que o mundo é diverso e complexo. Essa realidade estanque e dicotomizada que nos vendem todos os dias interessa ao golpe e aos golpistas.
Essas pessoas de pouca idade, admiradores dos regimes ditatoriais que tomam as mídias não são maioria. A população do Brasil, assim como o mundo, é complexa, heterogênea nos mais diversos aspectos, incluindo o humanitário. A consciência segue curso não linear, mas a propaganda não dá destaque àqueles que estão do outro lado, que não pactuam dos interesses de quem dá a vida valor menor que o capital.
Ao final da reflexão, concluo que Crônicas da Resistência pode fazer diferença na vida de quem presenteou e de quem foi presenteado. As narrativas dirão a eles que há respaldo para seus pensamentos, suas análises, suas críticas e seus entendimentos. Pode ser alento para que sigam diferenciados. Para que não se vejam sozinhos em meio a essa versão sem luz nem esperança que querem nos impor.

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Crônicas da Resistência: para dizer sim a liberdade e a vida.

jul 25, 2016 por

cronicas livroQue valor tem a terra se já não sustenta árvores, arbustos ou plantas forrageiras?
Que valor tem a terra que depois de sulcada pelo trator recebera sementes que germinarão, mas  não alimentarão aqueles que nela vivem?
Que valor tem a terra que já não abriga pássaros, borboletas, gambás ou cobras?
Que valor tem a terra envenenada, que envenena a água, que envenena a vida?

Que valor tem um país que não acolhe nem protege aqueles que vivem em seu solo?
Que valor tem um país que mata seus habitantes de fome, sede, desamparo ou abuso?
Que valor tem um país que se entrega a exploração de outro e definha?
Que valor tem um país que entrega aqueles que o construíram para que sejam nada além de seres escravizados?

Hoje, no Brasil de agora, lutamos ou seremos apenas um povo saqueado.
Por isso, hoje, no Brasil de agora, resistimos e resistiremos, sabendo que unir forças é imprescindível a preservação da multiplicidade de etnias, línguas e saberes que nos enriquece e nos faz únicos.
Para que possamos ter pátria.
Para que possamos ser nação.
Para que não nos roubem as oportunidades de sermos, humanamente, melhores do somos.

Dia 28/07/2016, a partir das 18 horas, no teatro da Reitoria/UFPR, com o lançamento do livro coletivo Crônicas da Resistência, reafirmaremos o sim à liberdade e a vida, dizendo, mais uma vez, não ao golpe!

O livro conta com prefácio de Adolfo Perez Esquivel,  Prêmio Nobel da Paz de 1980 e incansável defensor da liberdade e dos direitos humanos.  Leonardo Boff assina a contracapa.

A abertura será com o espetáculo “Os Semeadores de Sonhos” com João Bello e Susi Monte Serrat e Cultura Resiste

Serviço:
Livro Crônicas da resistência 2016 – Narrativas de uma democracia ameaçada Editora ComPactos 230 pg R$ 30,00 Local: Teatro da Reitora UFPR
Horário: 18h
Dia: 28 de julho
Endereço: Rua XV de Novembro, 1299 – Centro – Curitiba (PR) Contato com a editora e autores pelo e-mail: cleusaslaviero@hotmail.com

crônicas autores

participantes do livro Crônicas da resistência

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Duas horas com o Cultura Resiste/PR

jul 12, 2016 por

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A Vida pede. Viva mais Cultura.”
(da página da Caixa Cultural de Curitiba, no Facebook)

Não estive muito tempo com o grupo  que, na sexta feira, 08 de julho de 2016, ocupou o espaço da Caixa Cultural de Curitiba. Foram apenas duas horas. Tempo que eles levaram para se reunir e organizar a ocupação relâmpago no espaço de entrada do prédio. Tempo suficiente para compreender seus objetivos e causas.
Sem dúvida, todos, assim como a grande maioria dos brasileiros, querem o fim deste período de exceção e a retomada do mandato da presidente eleita. Mas o foco do debate que aconteceu no inicio das atividades pode ser sintetizado em uma frase: os recursos da união são drenados de todos os setores que fazem parte da área de humanas para engordar bancos e banqueiros.
IMG_8649Não é difícil de entender o argumento. De um lado já temos a maior parte dos recursos da união comprometidos com juros e a amortização da divida pública. Uma auditoria poderia reverter o quadro, ainda que parcialmente. Mas, contrariando o bom senso, as taxas que antes foram forçadas para baixo, agora crescem. E a divida também. Do outro lado, os recursos para Cultura, Ação Social, Moradia, Educação e Saúde somem.
A Caixa Econômica Federal é o banco público responsável pelo transito dos recursos das áreas de humanas. A agência da Caixa da Rua Conselheiro Laurindo aloja espaços culturais como o teatro e espaço para exposições. Por isso a escolheram.
Estamos acostumados com a vinheta “vem pra Caixa você também”, mas, neste final de semana,os integrantes do Cultura Resiste nos alertou: enquanto o golpe for mantido, seremos todos excluídos, não só da Caixa,  mas de todos os bens sociais que ajudamos a construir.

Este é um dos pilares do golpe. Junta-se a ele o desmantelamento das estatais, a entrega de nossos recursos, iniciando pelo Pré-Sal. E não podemos descartar o alastramento de domínio que as bases americanas instaladas no continente representam.

Precisamos todos, de todas as áreas, dizer não ao golpe para que possamos ter uma nação que nos abrigue.

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Indicamos uma postagem antiga de Auditoria Cidadã da Divida. Embora escrito antes da queda dos juros, ajudará a entender o alerta do Cultura Resiste.

A lógica perversa da Dívida e o Orçamento de 2015

 

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Crônicas da Resistência no Paranaaqui

jul 11, 2016 por

No dia 28 de julho de 2016 marcaremos nosso posicionamento: somos terminantemente contra o golpe que toma o Brasil.   O ato que sela nosso compromisso com a democracia contará com o lançamento do livro Cronicas da Resistência, organizado por Cleusa Slaviero, publicado pela Editora ComPacto e que traz o registro de nossos olhares.
Compartilhamos aqui a matéria da jornalista  Ana Maria de Jesus, publicada no Paranaaqui em 07/07/2016

Lançamento do livro Crônicas da Resistência 2016

Lançamento do livro Crônicas da Resistência 2016

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Escritores promovem ato em defesa dos direitos políticos de Dilma Rousseff. No dia 28/07, no Teatro da Reitoria da UFPR, acontecerá o lançamento do livro Crônicas da Resistência 2016. O livro traz o selo da Editora ComPactos e foi coordenado por Cleusa Slaviero. As crônicas, assinadas por escritores e profissionais das mais diversas áreas e de vários estados do Brasil, mostram a leitura dos momentos políticos conturbados pelos quais o país passa. O prefácio é assinado pelo Prêmio Nobel da Paz de 1980, Adolfo Perez Esquivel e, a contracapa, pelo Teólogo, intelectual e pacifista Leonardo Boff.

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Escritores: Silzi Mossato, Paulo de Jesus e João Bello

Para a romancista Silzi Mossato, autora de uma das crônicas, o livro revela olhares sobre o golpe, abordando aspectos e ângulos diversos e afirma: “Fazemos o ato ciente que, se desistirmos, não seremos uma nação, não teremos uma pátria que nos acolha ou que abrigue as próximas gerações”.

O escritor e poeta Paulo de Jesus, autor de uma crônica, alerta que a sociedade não pode compactuar com o golpe branco. Crônicas da Resistência é um grito coletivo de 83 brasileiros em prol do estado de direito. Será um ato político de resistência ao golpe branco que assola a nação e diz: “O evento será mais que o lançamento do livro com registros históricos dos momentos conturbados que estamos vivenciando. Será um ato político em defesa do mandato da Presidenta Dilma, da democracia e do respeito aos mais de 54 milhões de votos”. O poeta, músico e educador João Bello diz que a democracia, em momento algum, deve ser cerceada e afirma: “Será uma noite de Cultura e Resistência pelos nossos sonhos, ideais e pela democracia. Somos a Curitiba hospitaleira, generosa, solidária e queremos mostrar isto recebendo autores de todo o Brasil que bravamente resistem a esse momento crítico”.

O evento é aberto e gratuito e conta com o apoio dos movimentos sociais. Os autores explicitam que todos os defensores e simpatizantes da democracia e do pleno estado de direito estão convidados a comparecerem e fazer deste evento um grandioso ato político em prol da democracia.

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