Lá vem Maria

O Barqueiro

fev. 13, 2016 por

barqueiro03Do barqueiro ninguém sabia o nome, se é que o tinha. Todos o conheciam, mas ignoravam sua história pregressa. Sabiam apenas que um dia, num ano distante, instalara ali sua barca e iniciara sua atividade. Desde então, se mostrava incansável. Começava o trabalho ainda com as estrelas no céu e seguia ao ritmo do rio até que o crepúsculo restaurasse o brilho das mesmas. Repetia o rito ininterruptamente, sem obedecer a quaisquer regras sociais ou religiosas que indicassem descansos regulares. Somente os percalços naturais o desviavam. Chuva torrencial e ventos fortes levavam-no ao ócio.

ler mais

Posts Relacionados

Tags

Compartilhar

DO AMOR, O MEDO

fev. 5, 2016 por

(da peça Bar Brasilis) faces

Não, não tenho medo da morte.Tantos foram nossos encontros, que nos tornamos íntimos. Conheço suas metamorfoses com tamanha lucidez, que se fosse possível dizê-las, definitivamente me designariam louco.

Crê realmente que temo o escárnio? Não, não o temo. Em tantos jogos nos defrontamos que faço minhas suas artimanhas. Do escárnio conheço o ventre com tão louca profundidade, que se fosse possível mostrá-lo, me chamariam maldito.

O amor? (…)

Enfim celebras o que temo! (….)

No amor conheci tanta vida e emoção, que se fosse possível dividi-las entre os homens, me baniriam para sempre de seus convívios!

ler mais

Posts Relacionados

Tags

Compartilhar

A ENTREGA

jan. 27, 2016 por

ciganosEra desatenta de si. Tão desatenta que vibrou a emoção que outros olhos desencadeavam, sem perceber que pulsava aceleradamente. Foi preciso que os olhos do outro fossem também um corpo, num palco, a marcar a concretude dos sons, para que a própria demanda a chamasse.
Era desatenta de si. Tão desatenta que não alcançou o banalissimo desejo a abrir a alma para vida.
Talvez a emoção acordasse as células, os olhos brilhassem e a voz denunciasse a alegria introspectada. Talvez o corpo exalasse cheiro de paixão desperta, mas ela, desconexa de si, brincou e sorriu sem mergulhar nos olhos que a incendiavam. Foi preciso depara-se com as imagens do outro para que a profundidade conflitiva daqueles olhos a confrontasse e ela, perplexa,  rompesse com o presente.
No presente, era desatenta de si. Tão desatenta que mergulhou na emoção de outro tempo. De um tempo que não conseguia precisar, apesar do êxtase.  Talvez do tempo de cigana desgarrada, que seduzia e encantava, dançando alucinadamente! E na alucinação, mergulhou  naqueles olhos profundos e entregou-se em todos os tempos possíveis.

ler mais

Posts Relacionados

Tags

Compartilhar

ALÉM DA ALFORRIA

jan. 20, 2016 por

liberdade

liberdade

 

A liberdade ultrapassa a alforria e creio, dela prescinde.
Não é na alforria que a libertação se faz, mas ao contrário. De posse da última pode-se cavar a primeira com os recursos que o caminho dispõe.
Liberdade é um estado que explode na alma e invade o corpo na forma de alguma coisa que palavra não define. Pode surgir num repente, junto com a decisão que revoga a emoção ou que retira o impedimento do mergulho. Pode eclodir na madrugada em que se alinham cinco planetas, ou numa manhã de sol exuberante do verão.
Liberdade independe das estações. Pode não vir com a primavera, quando as flores ganham força e se mostram ao mundo e, sem explicação, impor-se no dia de chuva, em meio a neblina fria do outono ou inverno.liberdade.
Não há muito sobre o que devanear. Abre-se os olhos, aspira-se um ar que parece mais fluído que o ar de antes, percebe-se que da pele às entranhas, tudo flui. Sabe-se, sem titubear, que as amarras foram desatadas, que já não será necessário nadar com pedras presas aos pés e que é possivel amar sem pudor.

ler mais

Posts Relacionados

Compartilhar

Escritibas na Rua: literatura onde o povo está.

out. 7, 2015 por

Eu escrevo, tu escreves, ele escreve, mas para que o autor se revele como escritor é preciso que suas idéias, emoções e sentimentos sejam lidos.
Como chegar ao leitor neste universo de culto as “mega stores”, e-commerce de todos os cantos do mundo, propagandas e liquidações?
A resposta pode residir na simplicidade do insubstituível contato pessoal ou na união daqueles que querem ultrapassar as barreiras dos ruídos promocionais.
Cientes da necessidade criar o próprio canal para falar ao leitor, um grupo de escritores curitibanos, seguindo a terceira opção, fez nascer Os Escritibas na Rua.

Paulo

Paulo

Brizola

Segundo Paulo Roberto de Jesus, a idéia foi gestada a partir da participação de escritores independentes nos Saraus Populares da FCC. Muitos poetas que compareciam aos eventos para mostrar sua poesia já tinham livros publicados, mas não contavam com acesso aos canais para comercialização. Coube a Luiz Carlos Brizola organizar a primeira reunião daqueles que hoje integram um grupo independente e com gestão autônoma .
Os Escribas na Rua organizam suas atividades em reuniões nas quais todo associado tem direito a voz e voto. Para  unir -se a eles é preciso que o escritor resida em Curitiba ou região metroplitana, contribua com as taxas e nas atividades previstas no regulamento.

Ainda segundo Paulo, “as publicações são responsabilidade de cada escritor. Alguns saem com selo de pequenas editoras, outros não (…)”. A escolha cabe ao autor.

O grupo tem apoio, mas não tem patrocinio. Cresce sustentado pelo empenho e contribuições de seus integrantes e tem garantido um ponto fixo para exposição e venda  de suas obras. Todos os domingo, no Largo, junto a Feira do Poeta, elas estão a disposição de quem busca uma nova leitura ou um bom livro para presente. Vale conferir essa verdadeira livraria independente, escolher sua próxima viagem ao universo da poesia ou prosa e quem sabe, conversar com o autor que a criou.

ler mais