Lá vem Maria

Resgate

maio 26, 2011 por

O mar revolto não impedia o avanço. O repuxo, provocado por ondas em rochas também não. Lembrava o navio antigo e descolorido, sabia identificar a exata posição em mar aberto. Quase o via.

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DA NATUREZA DE DEUS

maio 21, 2011 por

 

 

“Deus não cobra estresse, apenas trabalho disciplinado e doado com amor”

Gilda Moura

 

Mas o que sei de Deus?

 

 

 

 

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CRESCER OU PERTENCER?

maio 12, 2011 por

Poderia começar essa conversa ressaltando a necessidade que temos conviver com semelhantes, mas estaria valorizando apenas uma face da questão. A semelhança, para ter seu valor consolidado precisa da diferença.

Ao conviver com a diferença podemos ampliar nosso universo, descobrir outras formas de ver o mundo, redefinir pontos de vista, aprender e apreender novas soluções para nossos jeitos de arranjar as coisas da vida.

É claro que podemos rechaçar o que nos é estranho. E esta é apenas uma das possíveis reações frente ao novo. Mas é certo que algumas diferenças nos chocam. As vezes porque os valores nelas expressos ferem os nossos. Outras, porque nos apegamos ferrenhamente aos nossos padrões e as diferenças, apontando para mudanças necessárias, nos assustam.

Podemos, no entanto, ampliar nosso universo aprendendo com a diferença. Se entendermos os outros jeitos de ver e viver a vida como legítimos e nos colocarmos abertos e receptivos ao entendimento desses outros jeitos podemos importar o que é pertinente, provocando em nós mesmos, sínteses enriquecedoras.

Ainda assim, há diferenças impossíveis de serem superadas. Em especial, aquelas sustentadas por valores tão diversos dos nossos, que se absorvidas, nos tirariam de nosso próprio eixo.

Viver em sistemas destoantes da nossa índole provoca desconforto, estresses às vezes intransponíveis, faz com que nos sintamos  forasteiros, estranhos e desgarrados.

Experiências desta natureza provocam, com freqüência, o desejo de fincar os pés n’algo com que nos assemelhemos. São elas que nos fazem perceber os ônus do “não pertencer”, do “não estar entre iguais”. Com essa afirmação não quero desqualificar o valor da vida entre diferentes. Repito: a troca é essencial à ampliação de nossos universos, à promoção de mudanças e também para a revalorização e revitalização do que somos. Mas a semelhança nos permite o pertencimento e o sentimento de integração. Na semelhança nos reconhecemos e nos reafirmamos.

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ONDE ME ATENHO, MORRO

maio 9, 2011 por

Este texto traz as primeiras de uma série de colocações pautadas nos vinculos em suas múltiplas faces e versões.  Condensa muitos dos aspectos que serão posteriormente abordados e poderia servir como conclusão. Não sei se, no caso, a ordem altera ou não o resultado. Mas, se altera, espero que antes de ser compreendido, o tema seja apenas sentido.

ONDE ME ATENHO, MORRO

Não sei nomear o autor, mas sei que para além das regras, das normas e convenções há a lei, expressa na frase: onde me atenho, eu morro.

A doença vista por este ângulo assinala estagnação, bloqueio da aprendizagem necessária a transformação de obstáculos em crescimento ou interrupções na realização do potencial do individuo ou grupo.
Doença aqui, entendida sem as dicotomias ou fragmentações próprias do pensamento cartesiano; sem separação corpo – psique – alma, e sem desconexão da pessoa e seu universo familiar ou sociocultural. Mas reconhecida como sinalização do individuo, para si e para o grupo, que algo impede a vida de fluir.

 

Sim, porque vida é movimento em direção à evolução e à amplitude da consciência. Requer, ao longo do trajeto, conquista de uma gama maior de soluções às questões com as quais nos deparamos. Permite e exige, nas diferentes conjunturas, a ampliação de variáveis a serem construídas e consideradas. Conseqüentemente, nos leva à crescente flexibilidade e complexidade de nossos pontos de vista.
As afirmativas acima não remetem a corrida tecnológica ou à ruptura dos vínculos ou ao abandono dos grupos de pertencimento. Antes falam da situação paradoxal inerente ao ser humano: crescer e continuar sendo o que essencialmente é. Diferenciar-se, individualizar-se, mas manter suas raízes e consolidar o pertencimento. Referendar os valores que norteiam o posicionamento frente ao mundo, mas também reconstruí-los, redefini-los, para que em circunstâncias diversas, não se tornem disfuncionais.
Saúde é equilíbrio, ouvimos ou lemos freqüentemente. Mas o que significa equilíbrio? Quem pode nos dar medidas convenientes? Quem pode nos dizer onde ele começa ou acaba? Qual a receita?
Bem, aprendi acertando e errando que as medidas são de cada um e para cada situação e circunstância elas mudam. Equilíbrio para ser o que o nome diz, precisa ser construído e constantemente reconstruído, de acordo com diferentes pessoas em seus diversos contextos e diversos momentos.
Parece algo inatingível?
Difícil sim, inatingível não.
Difícil e variável. Somos pessoas. E pessoas são potentes e falíveis. Erram, acertam, reconstroem, ganham, perdem, resgatam. Muitas aprendem e crescem, muitas desistem e se alienam. Pessoas caminham em tempos e formas diferentes e por caminhos diversos.
Possível porque temos conosco o mapa. As informações que precisamos para escolhas pertinentes estão em nós.
Difícil exatamente porque não somos afeitos a apropriação de nossos sentimentos e a aceitação do que somos.
Possível porque nossas doenças ou nossas dores nos dão a oportunidade de vencer barreiras, corrigir rotas, aprender e mudar e, principalmente nos conectarmos com o universo que somos. Ou, de acordo com os ensinamentos de Edward Bach, positivar* o que nos adoece e aproximar personalidade e alma.

É verdade que vivemos em família, pertencemos a comunidades, somos pressionados ou induzidos a atender à lealdade grupal. Afinal a necessidade de pertencimento é inerente ao individuo. Resta então perguntarmos: se somos coniventes com a estagnação do grupo de pertencimento estamos sendo leais ou ajudando na produção da doença? E se buscarmos nossa própria transformação, realizando nosso potencial a lealdade fica comprometida, ou será que assim damos ao grupo a oportunidade de voltar ao movimento, ao crescimento, à aprendizagem?

Somos unidades complexas, impulsionados pela lei que rege a vida: evoluir, concretizando potenciais. Mas somos parte e respondemos as expectativas do todo ao qual pertencemos. E enquanto todo e parte, também participamos da estagnação ou da evolução e podemos interferir, reconotar e revitalizar valores, inserir novas possibilidades. E, enquanto positivamos o que nos adoece, enquanto aproximamos personalidade e alma, podemos dar ao grupo chance de se transformar sem, contudo, deixar de ser o que essencialmente é.

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GOSTO DE LARANJA

maio 6, 2011 por

Seria poeta e enalteceria as veredas de minha infância. Não aprendi a versejar, nem existiam veredas nas terras onde cresci. Mas os caminhos desnudos sempre desembocavam em pomares, fartos de frutas a curvar galhos e galhos.

Na memória não há rimas, mas o gosto da laranja recém apanhada que minha mãe descascava e distribuía aos filhos. A bacia cheia, a roda no entorno, o cheiro do sumo se desprendendo da casca, a pele branca e sem machucados e o prazer raro exibido pela mulher que nunca descansava.

Fortuitos momentos nos quais me ensinava a amar.

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