Lá vem Maria

Eu e meus surtos de lucidez

set 15, 2016 por

CONJECTURANDO SOBRE CUNHA E DILMA:


Bastaria traçar um perfil de Dilma para ter certeza de que ela não cederia a chantagem de alguém tão corrupto quanto Cunha.
Bastaria traçar um perfil de Cunha para saber que, sob ameaça, ele iria ás últimas consequências.
Colocando Cunha na presidência da Câmara, entrando com pedido de impeachment da presidente e apertando o botão para que o deputado ficasse sob ameaça da comissão de ética, a bomba estaria com o estopim aceso.
Juntando a estratégia com ações dos velhos meios de comunicação que desde 2005 trabalham em rede para destruir moralmente os governos eleitos e adicionando outras, como por exemplo, a criação e/ou apoio aos grupos pró impeachment o que temos?
Confrontos entre segmentos sociais exacerbados, crescimento da incapacidade de discernimento e da capacidade de critica, desesperança, desistência.
Parece loucura? Devaneio?
Parem e pensem.
Um jogo ardilosamente montado. Arquitetado muito antes da última eleição. Um cruel jogo de xadrez feito com peças humanas.
Cunha, o aparente todo poderoso nem chegou a ser o rei do tabuleiro, como pensou ou demonstrou ser. Talvez uma torre, um bispo ou cavalos, mas nunca rei ou rainha. E se antes era uma peça travestida de outra, hoje é Boi de Piranha. E Boi de Piranha serve para saciar os peixes enquanto a manada atravessa o rio. E neste caso, o rio é o limite entre termos ou não um país onde morar , termos ou não uma nação que nos acolha, termos ou a gerência do Pré-Sal e da Petrobras, termos não água potável.
O Brasil não é o melhor lugar do mundo. E nem sei se há um melhor lugar no mundo. Mas é o nosso lugar e se superarmos ou minimizarmos nossas contradições podemos ter uma pátria melhor, mais humana. Para onde migraremos se deixarmos que desmontem nosso lugar de viver?
Sim, os golpistas traem aquela que seria a própria pátria. Sim, é necessário que sejam julgados por isto. Mas há uma questão que se impõe:
Onde está a cabeça desse desmonte da nossa nação? Quem ou o que brinda Aécio, José Serra, Temer e companhia? Quem ou o que determina as ações do judiciário que deveria sustenta aplicar a lei e manter a integridade da nação brasileira?

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O Crônicas segue, apoiando a Resistência.

ago 17, 2016 por

 

lançamento do Crônicas da Resistência em Curitiba

lançamento do Crônicas da Resistência em Curitiba

Hoje, 17 de agosto de 2006, mais um exemplar do livro “Crônicas da Resistência – Narrativas de uma democracia ameaçada” partiu. Seguiu rumo a capital de outro estado brasileiro. Uma pessoa jovem presenteou outra, também jovem.
Poderia imaginar que nossas narrativas teriam grande impacto na vida da pessoa presenteada ou do presenteador, mas não é assim que sinto. A verdade é que o fato trouxe uma alegria orgulhosa. A pequena crônica, que condensa anos do olhar que lanço aos fatos, será lida por quem chegou ao mundo uns trinta anos depois de minha aterrizagem. Mas em minutos de conversa, três décadas que poderiam ser um abismo, transmutaram em tempos de aproximação e entendimento.
Encaramos os fatos com focos semelhantes. Entendemos os fatos com profundidade e amplitude similares.
A experiencia provocou uma viagem no tempo e lá estou, com idade próxima a da pessoa que presenteou e da que foi presenteada. Resgato o longo caminho de aprendizagens. E, na ponta de cá, entendo o mundo com critérios próximos aos daqueles que só caminharam metade do caminho que já fiz.
Retomo também as conversas com outros autores do livro, no ato do lançamento de Crônicas da Resistência. Nas narrativas estão desde olhares de pessoas com idade próxima a minha, quanto a deles. Muitos com atuações admiráveis. Muitos anônimos e, assustadoramente, lúcidos.
Enfim, a experiencia de hoje soma-se a outras e prova que o mundo é diverso e complexo. Essa realidade estanque e dicotomizada que nos vendem todos os dias interessa ao golpe e aos golpistas.
Essas pessoas de pouca idade, admiradores dos regimes ditatoriais que tomam as mídias não são maioria. A população do Brasil, assim como o mundo, é complexa, heterogênea nos mais diversos aspectos, incluindo o humanitário. A consciência segue curso não linear, mas a propaganda não dá destaque àqueles que estão do outro lado, que não pactuam dos interesses de quem dá a vida valor menor que o capital.
Ao final da reflexão, concluo que Crônicas da Resistência pode fazer diferença na vida de quem presenteou e de quem foi presenteado. As narrativas dirão a eles que há respaldo para seus pensamentos, suas análises, suas críticas e seus entendimentos. Pode ser alento para que sigam diferenciados. Para que não se vejam sozinhos em meio a essa versão sem luz nem esperança que querem nos impor.

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Minha Resposta a Silas Malafaia

maio 14, 2016 por

Segundo  uma postagem que entrou na minha página do Facebook, Silas Mafalafia escreveu: ” OS ESQUERDOPATAS ESTÃO CHORANDO PORQUE TEMER ACABOU COM UM DE SEUS ANTROS, NO MINISTERIO DA CULTURA.”

Escrevendo”Esquerdopatas” ele junta esquerda com psicopata. E eu sou de esquerda. Mais de esquerda que o PT.  Mas, conhecedora de psicologia e psicopatologia, afirmo que um psicopata  é  incapaz de empatia, de se colocar no lugar do outro, de considerar ou respeitar as necessidades do outro. Portanto,  o grupo que acaba de apropriar-se da vida de 200 milhões de pessoas e estabelecer um plano de governo que retira direitos,  joga na miséria um imenso contingente de indivíduos de todas as idades, que se posiciona contra o aborto enquanto estabelece politicas que matarão bebes de fome e de falta de atendimento e que alimenta a violência está muito mais próximo do conceito de psicopatia que nós,  de esquerda.

Somos designados ” de esquerda” exatamente por sermos sensíveis ao sofrimento humano e lutarmos por uma nação igualitária. Sofrimento que o grupo ao qual Malafaia pertence irá aumentar abruptamente.
Quanto ao Ministério da Cultura, sim, eu sinto pela extinção e pela saída do admirável sociólogo Juca Ferreira.

Sinto ainda mais, porque sei que farão o impossível para eliminar   os resultados do trabalho que o historiador e escritor Célio Turino desenvolveu: O Programa Cultura Viva.  Um programa do MINC que mudou o paradigma na elaboração de politicas públicas na esfera da Cultura e  viabilizou a criação de milhares de Pontos e Pontões de Cultura, atingindo milhões de pessoas e criando milhares de postos de trabalho.

O programa, iniciado na gestão de Gilberto Gil, teve continuidade com pelo Juca Ferreira, ambos no governo Lula.
Foi e ainda é o melhor trabalho na área de cultura que já tivemos em todos os tempos. Articulado em rede e fomentando a diversidade, é também o melhor programa contra a exclusão e, consequentemente, contra a violência. .

É indispensável ter informação correta, lucidez e capacidade de empatia (ausente nos psicopatas ) para perceber o valor das ações desencadeadas em propostas dessa ordem. Mas está claro que o grupo que se apoderou do país quer acabar com tudo isso e, também restringir a educação pública, para eliminar qualquer resquício de pensamento crítico da sociedade brasileira. E não duvido que, ao mesmo tempo,  ampliem os domínios dos meios de comunicação que, nos últimos 11 anos, trabalhou de forma antiética e sistemática, para colocá-los no poder.

Por tudo o que vemos, é preciso lembrar que Juca Ferreira, em reunião com os representantes dos pontos de cultura, salientou: “É um erro transferir a dinâmica que vocês representam em seus territórios para o Estado. Se não, em vez de fortalecer, vamos enfraquecer. Vocês são representantes da complexidade cultural que o Brasil é”. 

Juca ainda explicitou que o  cenário econômico brasileiro e o avanço de movimentos reacionários, ameaçavam “a perenidade da conquista de direitos já adquiridos, inclusive culturais”. Enfatizou ainda a importância da atuação dos “Pontos de Cultura para garantir avanços e contribuir no processo de democratização. “

Além de Juca, Adolfo Pérez Esquivel aponta a importância da diversidade cultural na instrumentalização do processo democrático e alerta para os riscos do que chama de “monocultivo das mentes”.

Estamos experimentando os danos do monocultivo praticado pelos grandes meios de comunicação instalados no Brasil. Vivenciamos a alucinante impossibilidade de contra argumentar, de fazer chegar a uma parcela da população que sofrerá os danos do golpe, informações pertinentes.
Não faço parte de nenhum Ponto de Cultura. Convivo com integrantes e conheço a boa pratica de alguns desses pontos.  Afirmo, sem titubear, que a postura delineada por Juca Ferreira, Celio Turino e Adolfo Perez Esquivel, é aquela que precisamos que integrantes dessas unidades  assumam. É necessário, ainda, promover a autonomia econômica das unidades e ampliar suas ações para que sejam instrumento de resistência.

Quando eliminar o livre pensar é a desejo de um governo ilegítimo, fortalecer a diversidade, aumentar o comprometimento com praticas educacionais que permitem o pensamento crítico é o mais eficiente ato revolucionário.

As imagens da galeria são de um dos bons pontos de cultura do Paraná, obtidas quando Erly Ricci e eu, registramos o trabalho da Associação de Cultura Popular Mandicuera, registrado na página:

http://projetointerfaces-solasol.blogspot.com.br/

Parte do depoimento de Adolfo Pérez Esquivel, que inclui sua visão de” monocultivo das mentes” , está em https://www.youtube.com/watch?v=KmVol94yGQM

 

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Ações de acolhimento em “O Planeta é um só”

maio 3, 2016 por

foto de Erly Ricci

foto de Erly Ricci

Estávamos no meio da tarde quando ele sentou de frente para nós. No meu corpo apareceram  emoções desencontradas. Perplexidade, choque, desamparo, perda e ternura. A visível afetividade do interlocutor permeava as falas conscientes de quem viveu a crueza da guerra. Ele compartilhava suas experiências e eu continuava atônita, bombardeada por sensações de estonteamento,  ruptura e desproteção. Calculo que o narrador tenha a mesma idade de um de meus filhos. Meus filhos, que como milhares de outros da mesma idade, enfrentam as adversidades do nosso tempo e seguem, construindo suas histórias particulares, sem que isso lhes roubem a base familiar. Mas ele afirma que esse não é o seu lugar, que sua família ficou para trás, no lugar origem, para onde já não pode voltar. Ele é um sírio que talvez não tenha completado 30 anos. Não é o único e a Síria não é o único país de origem daqueles que conheci naquela tarde de sábado.
Era noite quando as atividades foram encerradas e deixei o local, impregnada de ternura e rijeza. Segui para casa com a alma a repetir que é preciso insistir, persistir, resistir, lutar. A vivência proíbe que venha a sucumbir.
Continuarei frequentando as reuniões do projeto “O mundo é um só” e confesso que precisei de duas semanas para falar do que ficou impregnado em mim. Mas não foi preciso mais que minutos de caminhada para reconhecer que uma nova pilastra interna emergiu da experiência.

“O Planeta é um só” é um projeto de acolhimento e troca de experiências, aberto tanto aos imigrantes quanto aos brasileiros. Conta com a parceria do Instituto Tibagi que sede espaço para as reuniões. Para participar basta ir as reuniões.

Para ter informações pode-se acessar a página do Facebook https://www.facebook.com/oplanetaeumso

Para conhecer um pouco mais, veja a matéria na página do Instituto Tibagi http://institutotibagi.org.br/2016/03/14/parceria-com-o-planeta-e-um-so-no-apoio-aos-migrantes-e-refugiados-no-brasil/

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O Sagrado Risco De Ser

abr 26, 2016 por

Preciso parar urgentemente com a cerveja,
porque depois da segunda,
a língua perde a trava,
falo o penso,
mostro o que sou.

Depois da segunda cerveja,
a ternura aflora,
a emoção ganha asas,
as regras perdem o sentido,
o senso comum vira pó.

Depois da segunda cerveja,
as amarras se dissolvem,
os medos cometem suicídio,
o orgulho tem sede de afeto,
o amor se liberta da monogamia.

Preciso parar urgentemente com a cerveja,
porque depois da segunda,
desato as correntes,
me coloco em risco.
No sagrado risco de ser.

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A Pedra

abr 22, 2016 por

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Um ônibus, dois ônibus, infinitos ônibus.
Lotados, apinhados.
A fila serpenteia, o menino passa a pedra, a pedra destroça o menino, que enfrenta o homem, que assume sua sina.

O ônibus, a fila, o menino, a pedra, o homem, a sina que já foi destino.
É tarde. Não há sentido algum.
Ainda que pudesse dizer que trago em mim o amor de muitas vidas,
do lado de fora a pedra destroça o menino, que enfrenta o homem, que cumpre a cega sina.

Nada tem sentido. Nenhuma norma satisfaz.
Qualquer convenção é minuscula a julgar o amor de muitas vidas que trago em mim.
Mas logo depois de minha sombra está o ônibus e a fila, a pedra e o menino, o homem e sua triste sina.

Um ônibus, dois ônibus, infinitos ônibus.
Vazios, desocupados.
Na rua desimpedida, o vento passeia, o menino amortece a dor, o homem carrega o menino, que enlaça o homem, que destroça a pedra, assumindo seu destino.

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