Lá vem Maria

SOBRE AS PEDRAS E AS PESSOAS….

set. 14, 2011 por

Coleciono pedras.
Para que servem?                                                                                          
Isso eu não sei. Sei apenas que gosto de ver os aglomerados coloridos e de superfícies diversas. Lisas e brilhantes, ásperas e sinuosas ou rugosas e cheias de reentrâncias.
Tenho pedras das mais diferentes cores e tamanhos. Um amontoado de pedregulhos minúsculos, que só mostram seus detalhes com o apoio de lupas. Uma procissão de pedras maiores, nas quais vejo as diferenças sem debruçar-me sobre as mesmas. Azuis, verdes, rosas, amareladas, ferrugem e uma série de nacos escuros com mesclas variadas.

Comecei a guardar pedras durante uma viagem. O ônibus fez a parada rotineira para o lanche da madrugada. Desci e fui perambular no espaço reservado às quinquilharias vendidas como lembranças. Entre elas estavam as caixinhas com pedrinhas, catalogadas como semipreciosas. Depois do exame escolhi uma pela diversidade de cores. Outro passageiro que bisbilhava por ali contou que aquele comércio era uma forma de descarte de pedras de pouco valor. Suas estruturas traziam falhas que as desvalorizavam.

Quantos milhões de anos estão contados em uma pedrinha?
Qual a trajetória de um pequeno naco azulado?
Também não sei.

Pedrinhas podem ter sido parte de vulcões incandescentes e de montanhas volumosas. Quem sabe se foram modeladas pelas águas doces dos rios ou pela força das marés, rolaram por terras argilosas ou ficaram acomodadas nas superfícies áridas dos altiplanos?
Pedras têm histórias e trajetórias registradas na sua estrutura, na sua cor, na sua superfície.
Pedras contam histórias do nosso universo, mas não sabemos ler pedras. Talvez por isso as (des)valoramos pela presença de minúsculas desarmonias em suas estruturas.

Pessoas contam histórias e trajetórias através do corpo, da voz, dos gestos…
Contam a sua história.
Contam a histórias dos seus.
Contam a histórias dos humanos.

Para as pedras, as classificações são aceitáveis.   Para as pessoas, prefiro o respeito ao catálogo.

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